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Um mapa do que a cidade não sinalizou

O Gnomon localiza patrimônios históricos e espaços de cultura no mapa e abre cada ponto em texto, imagem, vídeo e áudio — com audiodescrição e curadoria feita com quem vive o território. Baixe o aplicativo.

Lugares em destaque

Olinda · Pernambuco

Sede do Cariri Olindense

A Troça Carnavalesca Mista Cariri Olindense é uma troça e um bloco carnavalesco de frevo da cidade de Olinda. Sua sede fica localizada na Praça Conselheiro Miguel Canuto, no bairro de Guadalupe. Fundada em 15 de fevereiro de 1921, o bloco de rua Cariri é tido como uma "referência cultural" para os locais e turistas que desdobram a sua história. A troça surgiu em homenagem a um velho mascate, que vivia no Sertão do Cariri e vendia ervas medicinais no Recife, representado como um velho com longas barbas ruivas e chapéu de couro. Desde então, o Velho do Cariri, símbolo do troça, sai às 4h00 montado em um jumento subindo e descendo as ladeiras. Poucos anos depois da criação do Cariri, houve uma discussão, seguida de uma divisão no grupo. Parte dos “dissidentes” fundou o Homem da Meia-Noite. Apesar do racha, atualmente as duas agremiações convivem em harmonia e protagonizam um dos momentos mais belos do carnaval de Olinda. A Troça do Cariri é a responsável por abrir o carnaval olindense até os dias de hoje. Em 2016, foi nomeada Patrimônio Vivo de Pernambuco, devido o seu legado centenário de tradições, participação popular e importância para a comunidade de Olinda e para o seu carnaval. Com o título patrimonial, a instituição recebe o dever de promover e divulgar seu legado e manter tal memória vida, seja através de ensino da sua própria história, seja por meio de quaisquer outros métodos. Além de eventos relacionados ao carnaval, a sede também é usada para realização de aulas de ONGs, para atividades de faculdades, festas familiares, eventos escolares e, até mesmo, para velórios. Atualmente, os integrantes da agremiação tentam construir um pequeno museu para contar a história da Troça, possuindo um importante acervo com estandartes, fotografias e objetos utilizados durante o desfile, como por exemplo, a chave da abertura oficial do carnaval, que é a mesma utilizada desde 1921, produzida por fundadores da agremiação, com alguns reparos Assim, a Troça Carnavalesca Mista Cariri Olindense, bem como a sua sede, segue desfilando símbolos, como uma grande chave para a tradição popular do carnaval de rua, sendo muito mais que um bloco carnavalesco pois carrega, nas amarras de sua história, símbolos da cultural do frevo, do pertencimento pernambucano, dos saberes populares, e da diversão de um carnaval feito do povo para o povo - o suprassumo da folia dos foliões da Capital Cultural pernambucana, Olinda, sede do melhor carnaval do Brasil.

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Recife · Pernambuco

Casa de Badia - Casa das Tias do Terço

A Casa de Badia é um dos mais importantes marcos da cultura negra e das religiões de matriz africana em Pernambuco. Localizada no Pátio do Terço, no bairro de São José, no Recife, o imóvel funcionou como a residência de Maria de Lourdes da Silva, a Mãe Badia, uma influente ialorixá e carnavalesca reverenciada como a "Primeira Dama do Carnaval do Recife". Situada logo em frente à histórica Igreja de Nossa Senhora do Terço, a casa representa a força e a permanência das tradições afro-brasileiras em Recife, sendo tombado como patrimônio histórico do estado devido à sua relevância imaterial. A história do casarão preserva uma memória valiosa no cenário do bairro de São José. O espaço abrigou o chamado Axé das Tias do Pátio do Terço, considerado um dos pontos mais antigos do Xangô tradicional do Recife, que servia como um reduto essencial de acolhimento e resistência religiosa. Além disso, a casa exercia o papel de um verdadeiro quartel-general do Carnaval, onde Badia costurava fantasias, guardava adereços e apoiava agremiações tradicionais como o Clube Vassourinhas. Foi exatamente em frente a esse endereço que nasceu a Noite dos Tambores Silenciosos, que reúne diversas nações de Maracatu-Nação para saudar e pedir proteção aos antepassados na segunda-feira de carnaval. Atualmente, a Casa de Badia continua a ser polo ativo de celebração e preservação da ancestralidade negra na região central da cidade. O imóvel atrai pesquisadores, turistas e devotos que buscam compreender as raízes culturais de Pernambuco a partir da perspectiva de quem viveu a margem das narrativas oficiais. O local também abriga iniciativas voltadas para a gastronomia (com lanches como cachorro quente, hamburguer e pratos típicos da culinária afro-brasileira) e atividades de valorização da memória preta, mantendo vivo o legado comunitário deixado por Mãe Badia. Assim, o espaço reafirma-se no presente não apenas como um monumento estático do passado, mas como um centro de resistência cultural que pulsa diariamente no Recife. Sendo um patrimônio vivo e tombado, o espaço, atualmente, passa por uma situação precária de desvalorização e abandono estatal, fazendo com que os parentes e atuais moradores da Casa de Badia recorram ao comércio de lanches e ao apelo popular para enfrentar o desamparo do poder público em relação ao espaço que é um patrimônio pernambucano.

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Porto · Porto

Ponte Luís I

A Ponte D. Luís I é um dos mais importantes e icônicos marcos das cidades do Porto e Vila Nova de Gaia, em Portugal. Construída entre 1881 e 1886, esta ponte é um testemunho da evolução da engenharia e do crescimento urbano na região durante o século XIX. A Ponte D. Luís I é conhecida por sua imponente estrutura metálica de dois tabuleiros, conectando o Porto e Vila Nova de Gaia sobre o rio Douro. Projetada pelo engenheiro belga Théophile Seyrig, que anteriormente colaborou com Gustave Eiffel na construção da Ponte de D. Maria Pia, esta ponte exibe uma elegante filigrana de ferro pesando um total de 3.045 toneladas. A ponte foi inaugurada em duas etapas: o tabuleiro superior em 1886 e o tabuleiro inferior em 1888. Sua fachada é adornada por artísticos candeeiros de gás, que iluminam tanto o tabuleiro superior quanto o inferior. Ao longo dos séculos, a Ponte D. Luís I desempenhou um papel crucial na ligação entre o Porto e Vila Nova de Gaia, facilitando o tráfego e impulsionando o comércio entre as duas cidades. Em 1982, a ponte foi classificada como Imóvel de Interesse Público, e em 1996, foi reconhecida como Patrimônio Mundial da UNESCO, sublinhando sua importância cultural e histórica. Atualmente, a Ponte D. Luís I é uma das principais atrações turísticas da região, atraindo milhares de visitantes todos os anos. Os visitantes podem atravessar a ponte a pé ou de carro, desfrutando de vistas panorâmicas do rio Douro e das cidades de Porto e Vila Nova de Gaia.

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Fortaleza · Ceará

Parque da Liberdade

A referência à libertação dos povos escravizados no Ceará está no Parque da Liberdade e em outros elementos que compõem o local, como a estátua indígena quebrando os grilhões que lhe acorrentavam os pulsos. A obra do pintor e escultor Euclides Fonseca marca o momento em que o espaço voltou a se chamar Parque da Liberdade, em 1948. O local já teve denominações como Parque da Independência, em homenagem ao Centenário da Independência do Brasil; e Cidade da Criança, nome que recebeu em 1936, quando passou a ser um conjunto educacional dedicado à infância.

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Recife · Pernambuco

Rua do Bom Jesus

A Rua do Bom Jesus, localizada no bairro do Recife Antigo, na capital de Pernambuco, é mundialmente reconhecida por sua beleza arquitetônica e atmosfera vibrante. Emoldurada por casarões coloniais coloridos e um charmoso calçamento de paralelepípedos, a via conquistou prestígio internacional ao ser eleita uma das ruas mais bonitas do mundo pela revista Architectural Digest. Atualmente, o local funciona como um vibrante polo cultural e turístico, atraindo visitantes que buscam explorar o patrimônio histórico recifense, além de desfrutar de eventos populares como a tradicional feirinha de artesanato dominical. Por trás de suas fachadas coloridas, a rua guarda camadas profundas e complexas da história nacional. Originalmente chamada de Rua dos Judeus e, posteriormente, Rua da Cruz, o espaço desempenhou um papel central durante a ocupação holandesa no século XVII, abrigando a primeira sinagoga das Américas. No entanto, conforme as pesquisas oficiais reunidas pela historiadora Isabel Guillen no projeto Lugares de Memória da Escravidão e da Cultura Negra em Pernambuco, a via também foi um dos principais pontos de convergência do comércio de escravizados na capital. Durante os séculos XVI e XVII, a área portuária adjacente funcionava como local de quarentena, leilão e venda de homens e mulheres africanos, um passado de dor que muitas vezes permanece invisibilizado diante dos circuitos turísticos tradicionais, fazendo com que a histórica seja apagada em detrimento do turismo capitalista contemporâneo. Na atualidade, a Rua do Bom Jesus equilibra seu valor estético com o desafio de resgatar e preservar essas memórias plurais do traçado urbano. Quem caminha por ela hoje encontra importantes centros de salvaguarda cultural, como o museu da Sinagoga Kahal Zur Israel e a Embaixada dos Bonecos Gigantes, que celebra o Carnaval do estado. O grande fluxo de turistas e moradores que frequentam seus cafés e feiras reforça a importância de enxergar a rua não apenas como um cenário fotográfico, mas como um monumento vivo de um passado que deve ser preservado como patrimônio histórico. Esse espaço urbano convida o público a compreender a complexidade de Recife, valorizando a herança e a resistência das populações negras e de todas as comunidades que moldaram a identidade pernambucana.

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01Premissas

A História de uma comunidade contada por ela mesma!

Toda lista de bens tombados é resultado de uma disputa entre o que se escolhe lembrar e o que se escolhe esquecer.

O Gnomon propõe a descentralização do patrimônio por meio de uma cartografia de memórias em espaço digital.

Nele, convida-se ao compartilhamento de memórias e de saberes históricos sobre diversos lugares, em que todas as pessoas podem construir colaborativamente a História das suas comunidades.

Ler a base conceitual do projeto ↗
02Características

Características

01

Perfil Acadêmico

Elaborado no Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco, o aplicativo unifica pesquisa, inovação e cultura voltada para o compartilhamento de patrimônios históricos de diversos locais.

02

Educação ubíqua

Voltado para a integração entre o mundo físico e digital, no qual a tecnologia participa da mediação de forma integrada. O foco é a interação humana e a tecnologia é mais um suporte possível da aprendizagem.

03

Curadoria comunitária

O Gnomon abre espaço para todas as pessoas compartilharem um pedaço da História de diversas comunidades. Mas, também conta com uma equipe multidisciplinar que valida as informações, faz curadoria de pontos e rotas e realiza moderação na comunidade.

04

Espaço aberto

App, rotas, e-books e cursos gratuitos, com materiais que podem ser reproduzidos e distribuídos para ampliar o contato com o patrimônio histórico e cultural.

05

Acessibilidade

Audiodescrição nos pontos do acervo; preocupação com o contraste e a disposição dos conteúdos; adaptação constante seguindo as principais diretrizes de acessibilidade.

06

Formação continuada

Uma comunidade acadêmica voltada para a continuidade do processo formativo em Ensino de História, Educação Patrimonial, Turismo de Base Comunitária e Tecnologias na Educação.

03 · Quem impulsiona o Gnomon

A cidade contada por quem participa da sua história

O Gnomon é uma iniciativa dedicada a valorizar memórias plurais, dialogar sobre patrimônios invisibilizados e a memória local. O aplicativo, de caráter acadêmico e científico, atua com projetos e editais de Pesquisa, Inovação, Tecnologia e Cultura. Voltado para produções acadêmicas e fortalecimento da experiência com o patrimônio para educadores, pesquisadores e interessados nas áreas de cultura, História e tecnologias digitais aplicadas à Educação.